Uma foto é mais do que a representação de algo. Antigos casarões são imagens que despertam emoções, sentimentos muitas vezes difíceis de explicar... Quantas histórias, quantos dramas e segredos que transcendem o tempo se escondem sob suas paredes?
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Casa e Armazém Colonial na localidade de Porto Ramos em Santo Antônio da Patrulha
Não tem como não se inspirar e "viajar" olhando essas maravilhas que temos por aqui:
"Na imobiliária várias fotos de propriedades do interior de Santo Antônio da Patrulha. Uma delas se destacava. Os galhos dos plátanos secos pelo inverno criavam figuras desconexas. - O que era esse lugar? Não parece ser somente uma residência. – Felícia perguntou interessada. O agente caminhou até a ponta da mesa aonde ela folheava o álbum com fotos de várias propriedades. - Ah, sim. Aí era um armazém e a morada dos proprietários. Sem pensar, Felícia diz que quer ver o local. -Veja as outras fotos...Tem outras mais próximas da.... - Eu quero ver essa! – Ela olhou firme enquanto falava. Ele aquiesceu e marcaram para o dia seguinte bem cedo. *** - Terminou o papel de embrulho, Alice! Traz outro ligeiro! A menina ouviu o pai gritar e corre. Levou um novo rolo de papel pardo que ele usava pra embrulhar a maioria das vendas, quase todas à granel. Sabia o quanto ele detestava esperar. Aproveitou que o pai a chamou, e ficou por ali. Foi até a frente da venda. Sabia que era por essa hora que Maurídes passava por ali vindo da escola com sua égua moura . Olhou na estrada ao longe e na curva viu que ele apontava. Seu coração bateu na barriga. O cabelo louro um pouco comprido mexeu com o trote da égua. Ele notou que ela estava ali, tinha certeza. Ele a notava, sim, embora não demonstrasse. Talvez tivesse medo de seu pai, sempre tão austero. Mesmo de longe seus olhares se juntaram. A respiração se acelerou. Ele estava perto. Estava quase .. -“Aliiiice”- Ouviu o pai chamar - “Vai lá pra casa ajudar tua mãe com o almoço”. Por uns instantes seus olhares se cruzaram. Maurídes amarrou a égua no palanque ao lado do plátano com suas folhas muito verdes, quase tanto quanto os seus olhos. Sua boca se abriu num suspiro. Ela tinha que ir. Ela tinha sempre que obedecer o pai. *** -Quem morava nesta casa? - Felícia perguntou enquanto Ricardo desviava a camionete dos buracos na estrada - Tenho os dados deles na pasta. Não são conhecidos, faz muito tempo que foram embora.Muito tempo mesmo... Nem devem estar mais vivos. Os netos que estão negociando... - O que houve? - ele apertou a boca - Não sei exatamente. Mas houve um incêndio na casa e a filha mais velha do casal morreu. Desgostosos, arrendaram as terras e foram embora pra cidade. Essa propriedade está de mão em mão. Merece um dono caprichoso que cuide ... - Como era o nome da menina? - Ah não sei. – Ele desvia os olhos da estrada por um momento e brinca: - Que curiosidade!! - depois ficou em silêncio ao ver a seriedade da cliente. Ela murmurou: - “Alice” - e virou o rosto pra fora observando a paisagem. O carro não tinha bem parado e Felícia já estava descendo. Como se nunca tivesse saído dali, correu até o plátano que ficava bem defronte a sua casa e viu as iniciais esculpidas ainda na madeira dentro de um coração: A e M"
Não tem como não se inspirar e "viajar" olhando essas maravilhas que temos por aqui:
ResponderExcluir"Na imobiliária várias fotos de propriedades do interior de Santo Antônio da Patrulha. Uma delas se destacava. Os galhos dos plátanos secos pelo inverno criavam figuras desconexas.
- O que era esse lugar? Não parece ser somente uma residência. – Felícia perguntou interessada.
O agente caminhou até a ponta da mesa aonde ela folheava o álbum com fotos de várias propriedades.
- Ah, sim. Aí era um armazém e a morada dos proprietários.
Sem pensar, Felícia diz que quer ver o local.
-Veja as outras fotos...Tem outras mais próximas da....
- Eu quero ver essa! – Ela olhou firme enquanto falava.
Ele aquiesceu e marcaram para o dia seguinte bem cedo.
***
- Terminou o papel de embrulho, Alice! Traz outro ligeiro!
A menina ouviu o pai gritar e corre. Levou um novo rolo de papel pardo que ele usava pra embrulhar a maioria das vendas, quase todas à granel. Sabia o quanto ele detestava esperar. Aproveitou que o pai a chamou, e ficou por ali. Foi até a frente da venda. Sabia que era por essa hora que Maurídes passava por ali vindo da escola com sua égua moura . Olhou na estrada ao longe e na curva viu que ele apontava. Seu coração bateu na barriga. O cabelo louro um pouco comprido mexeu com o trote da égua. Ele notou que ela estava ali, tinha certeza. Ele a notava, sim, embora não demonstrasse. Talvez tivesse medo de seu pai, sempre tão austero. Mesmo de longe seus olhares se juntaram. A respiração se acelerou. Ele estava perto. Estava quase ..
-“Aliiiice”- Ouviu o pai chamar - “Vai lá pra casa ajudar tua mãe com o almoço”.
Por uns instantes seus olhares se cruzaram. Maurídes amarrou a égua no palanque ao lado do plátano com suas folhas muito verdes, quase tanto quanto os seus olhos. Sua boca se abriu num suspiro. Ela tinha que ir. Ela tinha sempre que obedecer o pai.
***
-Quem morava nesta casa? - Felícia perguntou enquanto Ricardo desviava a camionete dos buracos na estrada
- Tenho os dados deles na pasta. Não são conhecidos, faz muito tempo que foram embora.Muito tempo mesmo... Nem devem estar mais vivos. Os netos que estão negociando...
- O que houve? - ele apertou a boca
- Não sei exatamente. Mas houve um incêndio na casa e a filha mais velha do casal morreu. Desgostosos, arrendaram as terras e foram embora pra cidade. Essa propriedade está de mão em mão. Merece um dono caprichoso que cuide ...
- Como era o nome da menina?
- Ah não sei. – Ele desvia os olhos da estrada por um momento e brinca:
- Que curiosidade!! - depois ficou em silêncio ao ver a seriedade da cliente.
Ela murmurou: - “Alice” - e virou o rosto pra fora observando a paisagem.
O carro não tinha bem parado e Felícia já estava descendo. Como se nunca tivesse saído dali, correu até o plátano que ficava bem defronte a sua casa e viu as iniciais esculpidas ainda na madeira dentro de um coração: A e M"